Declaração mensal de operações com criptoativos acima de R$ 30 mil

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Quem opera criptomoedas convive com duas obrigações que costumam ser confundidas. Uma é a declaração anual de bens, na qual as posições aparecem como qualquer outro ativo. A outra é a prestação periódica de informações sobre as operações realizadas — obrigação acessória autônoma, que existe mesmo quando não há imposto a pagar.

Duas obrigações, dois momentos

A declaração anual registra o que o contribuinte possuía em 31 de dezembro, pelo custo de aquisição, e o eventual ganho de capital apurado nas vendas do ano.

A informação periódica sobre operações tem outra finalidade: dar ao fisco visibilidade sobre a movimentação, com dados de datas, valores e contrapartes. Ela é entregue por meio de sistema próprio da Receita Federal, em periodicidade mensal, e independe de o investidor ter lucro no período.

Quem precisa informar

A obrigação recai, em primeiro lugar, sobre as prestadoras de serviços de ativos virtuais estabelecidas no Brasil, que informam as operações de seus clientes.

A pessoa física entra na obrigação quando opera fora desse circuito: negociação em plataforma sediada no exterior ou operação realizada diretamente entre partes, sem intermediário nacional. Nessa hipótese, o marco de valor historicamente adotado pela Receita é de R$ 30.000,00 em operações no mês, considerado o conjunto de operações do período.

A Lei 14.478/2022 dá o pano de fundo ao definir, no art. 5º, a prestadora de serviços de ativos virtuais como a pessoa jurídica que executa, em nome de terceiros, serviços como a troca entre ativos virtuais e moeda nacional ou estrangeira, a troca entre ativos virtuais e a transferência de ativos virtuais.

O que mudou recentemente

O regime de prestação dessas informações foi reorganizado. A página oficial da Receita Federal sobre criptoativos reúne, hoje, os atos referentes à obrigação instituída em 2019 e os atos referentes à nova declaração de criptoativos criada em 2025, com sistema e leiaute próprios.

A consequência prática para o investidor é direta: antes de montar a informação, é preciso conferir na página oficial qual é o formato vigente, o calendário de entrega e quem está obrigado no período em questão. Reproduzir um roteiro antigo é o erro mais comum nesse tema.

O que reunir e o que arriscar deixar de fora

A falta de entrega ou a entrega com informações inexatas sujeita o obrigado a multas específicas, aplicadas por declaração e por informação incorreta ou omitida.

Exemplo: um investidor movimenta R$ 45.000 em um mês em plataforma estrangeira e não transaciona nada no Brasil. A ausência de intermediário nacional desloca para ele a obrigação de informar, ainda que todas as operações tenham dado prejuízo.

Quem acumulou meses sem informar costuma precisar avaliar o custo da regularização espontânea diante do risco de autuação — análise que advogado particular consegue fazer a distância, com os extratos das plataformas enviados por meio digital.

A informação periódica não substitui a apuração do imposto

São planos diferentes e independentes. A prestação de informações é obrigação acessória: descumpri-la gera multa própria, ainda que todo o imposto tenha sido pago corretamente.

A apuração do ganho de capital, por sua vez, é obrigação principal: nasce da venda com lucro e se resolve com o DARF mensal, dentro dos limites e das isenções aplicáveis.

É possível, portanto, estar em dia com uma e em falta com a outra. Investidor que só recolhe imposto quando há lucro relevante costuma esquecer a informação dos meses de prejuízo — e é justamente aí que a multa acessória aparece.

Perguntas frequentes

Preciso informar se apenas comprei e mantive as moedas?

A compra é operação e entra na informação periódica quando o obrigado é o próprio investidor e o marco de valor é alcançado. Guardar sem movimentar, ao longo do mês seguinte, não gera nova obrigação periódica — mas a posição continua devendo constar da declaração anual de bens, pelo custo de aquisição.

Transferir moedas entre carteiras minhas conta como operação?

Transferência entre carteiras do mesmo titular não é alienação e não gera ganho de capital. Ainda assim, o movimento costuma integrar as informações prestadas ao fisco e, principalmente, precisa estar documentado: sem o registro, uma entrada futura pode ser interpretada como aquisição sem origem comprovada.

Proveniência

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.