Dever de indenizar e responsabilidade objetiva no art. 927

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Sofrer um dano é apenas o começo; a pergunta seguinte é quem deve pagar por ele. O artigo 927 do Código Civil dá a base: aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem fica obrigado a repará-lo. E vai além, ao admitir, no parágrafo único, a reparação mesmo sem culpa em certas situações. Enquanto o art. 186 define o ilícito, o art. 927 impõe a consequência — indenizar —, com a extensão medida na forma do art. 944.

Responsabilidade com culpa e sem culpa no art. 927

O caput do art. 927 consagra a responsabilidade subjetiva: quem comete ato ilícito, com culpa ou dolo, repara o dano. É a regra geral, que exige demonstrar a conduta reprovável do causador.

O parágrafo único abre a responsabilidade objetiva. Haverá dever de indenizar independentemente de culpa nos casos previstos em lei ou quando a atividade normalmente exercida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Aqui, basta provar o dano e o nexo com a atividade.

O que é a atividade de risco do parágrafo único

A chamada teoria do risco alcança atividades que, por sua própria natureza, expõem terceiros a perigo acima do comum. Transporte, manuseio de produtos perigosos e certas operações industriais costumam ser enquadrados nessa lógica.

Nesses casos, a vítima não precisa provar culpa; cabe a quem explora a atividade demonstrar, se puder, uma causa que rompa o nexo, como a culpa exclusiva da vítima ou o caso fortuito externo. É uma inversão relevante do ônus de discutir a responsabilidade.

Quanto se indeniza: a medida do art. 944

Reconhecido o dever de reparar, resta definir o valor. O art. 944 estabelece que a indenização se mede pela extensão do dano — nem mais, para não gerar enriquecimento da vítima, nem menos, para efetivamente recompor o prejuízo.

Há um temperamento: se houver desproporção excessiva entre a gravidade da culpa e o dano, o juiz pode reduzir equitativamente a indenização. Por isso, quantificar o prejuízo com provas concretas é tão importante quanto demonstrar o dever de indenizar.

Perguntas frequentes

Responsabilidade objetiva significa que sempre haverá indenização?

Não. Mesmo sem discutir culpa, é preciso provar o dano e o nexo com a atividade de risco. Causas como culpa exclusiva da vítima ou caso fortuito externo podem afastar o dever de indenizar.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.