Nomear parente para cargo público é permitido? O que diz a Súmula Vinculante 13

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

Pode um prefeito colocar o irmão na secretaria ou um juiz indicar o filho para um cargo comissionado no próprio tribunal? A resposta curta é não, e o motivo tem nome: Súmula Vinculante 13, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 2008 para barrar o nepotismo na administração pública. O enunciado não depende de uma lei específica em cada município ou órgão. Ele extrai a proibição diretamente dos princípios que regem a administração, o que o torna aplicável a todos os Poderes e a todas as esferas de governo.

Quem a Súmula Vinculante 13 alcança

A vedação alcança vínculos de casamento ou companheirismo e parentes, consanguíneos ou por afinidade, até o terceiro grau, da autoridade que nomeia ou de servidor investido em direção, chefia ou assessoramento na mesma pessoa jurídica. Não se limita à unidade física ou ao setor em que a vaga foi aberta.

A súmula também alcança designações recíprocas, o chamado nepotismo cruzado, quando autoridades combinam nomeações de parentes para tentar ocultar o favorecimento.

Onde a moralidade e a impessoalidade entram na história

A base da súmula está nos princípios da administração pública. A Constituição submete a máquina estatal à impessoalidade, à moralidade e à eficiência, e é desses vetores que o STF deduz a proibição.

O cargo público não pertence a quem nomeia, e o vínculo familiar não pode substituir a escolha impessoal. A improbidade, porém, não nasce automaticamente de toda irregularidade: a Lei 8.429/1992 exige dolo e tipifica a nomeação nepotista e o ajuste recíproco. A responsabilização depende da conduta e da prova do caso.

Cargos políticos: a exceção que costuma confundir

Nem toda nomeação de parente é proibida. O STF entende que cargos de natureza política, como o de secretário municipal ou estadual e o de ministro, não se enquadram automaticamente na súmula, por serem agentes políticos e não meros servidores de confiança.

Ainda assim, a exceção não é um cheque em branco: se ficar demonstrado favorecimento, troca de favores ou falta de qualificação, a nomeação pode ser questionada. Denúncias podem ser levadas ao Ministério Público e aos tribunais de contas, que fiscalizam a moralidade nas nomeações.

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