Como registrar na delegacia eletrônica o boletim do estelionato digital

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

O boletim de ocorrência é o primeiro documento que todos os balcões vão pedir: o banco na devolução, a seguradora no sinistro, o juiz na ação. Registrá-lo pela internet, na delegacia eletrônica do seu estado, tem a mesma validade do registro presencial e pode ser feito no mesmo dia do golpe — o que importa, porque a data do boletim baliza a credibilidade de todo o resto.

Separe antes: os dados que transformam o boletim em prova útil

Um boletim vago, do tipo caí num golpe pela internet, pouco ajuda. Antes de iniciar o registro, deixe à mão:

Cada detalhe incluído agora poupa uma retificação depois — e retificar boletim é mais um procedimento na fila.

O registro na delegacia eletrônica, tela a tela

Procure o portal oficial da Polícia Civil do seu estado — em São Paulo, por exemplo, a Delegacia Digital registra estelionatos cometidos pela internet; os demais estados mantêm serviços equivalentes. No formulário, escolha a natureza estelionato e, se disponível, a modalidade eletrônica. Narre os fatos em ordem cronológica, cole os identificadores das transações e anexe comprovantes quando o sistema aceitar arquivos.

Enviado o formulário, anote o número de protocolo. O boletim passa por validação e retorna, em geral por correio eletrônico, com número definitivo e arquivo em PDF — salve-o em mais de um lugar. Se o portal do seu estado não contemplar o caso, ou se houve violência ou grave ameaça, o registro presencial em qualquer delegacia resolve.

Por que a tipificação importa: a fraude eletrônica do art. 171, §2º-A

Desde a Lei 14.155/2021, o estelionato cometido com uso de informações fornecidas pela vítima induzida por meio eletrônico — redes sociais, ligações, aplicativos — tem pena maior que a figura básica do art. 171 do Código Penal. Essa tipificação direciona o caso a delegacias especializadas em crimes cibernéticos onde existam, e fundamenta medidas de investigação sobre os dados do beneficiário do dinheiro.

Em regra, a persecução do estelionato depende de representação da vítima: manifeste no próprio boletim, expressamente, o interesse em representar contra o autor. Sem isso, a investigação pode nem começar.

Depois do protocolo: onde o boletim entra em cada frente

Com o PDF em mãos, distribua-o: anexe ao pedido de devolução no banco, à contestação das compras, ao aviso de sinistro da seguradora se houver seguro de cartão, e à reclamação nos canais de consumo. Na esfera criminal, acompanhe pelo número de protocolo e atenda eventuais intimações para depoimento.

Guarde também os anexos que instruíram o registro. Se a investigação identificar o beneficiário, esse material alimenta a ação de reparação. E quem não tem condições de contratar advogado para a frente cível encontra na Defensoria Pública do seu estado o atendimento que parte exatamente desse boletim.

Perguntas frequentes

Registro no meu estado ou no estado do golpista?

Registre no seu. A prática das delegacias eletrônicas é lavrar a ocorrência onde a vítima reside ou onde o prejuízo se consumou; a autoridade encaminha o caso à unidade competente se for outra. Não deixe de registrar por dúvida de competência.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.