Ler correspondência ou mensagem de outra pessoa

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

A curiosidade de abrir uma carta endereçada a outra pessoa, ou de vasculhar o que não é seu, esbarra em um direito antigo e protegido: o sigilo da correspondência e das comunicações. A lei penal trata a violação desse sigilo como crime. Este verbete explica o que o Código Penal pune, como funciona a proteção da correspondência comercial e onde entra a invasão de aparelhos.

A violação de correspondência do art. 151

O art. 151 do Código Penal pune quem devassa indevidamente o conteúdo de correspondência fechada dirigida a outrem, com pena de detenção de um a seis meses, ou multa. Devassar significa tomar conhecimento do conteúdo sem ter direito a isso, como abrir a carta lacrada de outra pessoa para ler o que ela diz.

O mesmo dispositivo pune, em seu § 1º, quem se apossa indevidamente de correspondência alheia e a sonega ou destrói, ainda que não fechada. O bem protegido é o sigilo daquilo que uma pessoa dirige à outra em caráter reservado, um desdobramento da proteção constitucional das comunicações.

A correspondência comercial do art. 152

Quando o contexto é uma empresa, entra o art. 152. Ele pune quem, abusando da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial, desvia, sonega, subtrai ou suprime correspondência, ou revela a estranho o seu conteúdo. A pena é de detenção de três meses a dois anos.

Esse crime protege a confiança dentro da empresa: o sócio ou funcionário que tem acesso à correspondência não pode se aproveitar dela para desviar ou vazar informações. Um detalhe importante é que, nessa figura, o processo depende de representação de quem foi lesado.

Ler a correspondência é diferente de invadir o celular

Muita gente pergunta se ler as mensagens do celular de outra pessoa se enquadra aqui. A rigor, invadir um dispositivo informático de uso alheio, como um celular ou computador, para obter dados sem autorização é o crime do art. 154-A, com pena de reclusão de um a quatro anos, mais grave que a violação de correspondência tradicional.

A distinção importa porque os aparelhos concentram hoje mensagens, fotos e dados sigilosos, e a lei passou a protegê-los de forma específica. Seja em papel ou em tela, a regra de fundo é a mesma: o conteúdo reservado de alguém não está disponível para quem quiser bisbilhotar. Diante de um caso concreto, um advogado ou a Defensoria podem indicar qual figura se aplica.

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