Perempção: o risco de deixar a queixa parada

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Quem move uma ação penal privada, por meio de queixa, assume um ônus que nem sempre percebe: tocar o processo adiante. Se o querelante — nome de quem oferece a queixa — abandona o caso ou deixa de praticar atos essenciais, pode ocorrer a perempção, que extingue a punibilidade e encerra o processo em favor do réu. A perempção é uma espécie de punição à inércia. Ela existe justamente porque, nesses crimes, o impulso do processo depende da vítima.

O que é perempção e por que ela só atinge a ação privada

A perempção é uma causa de extinção da punibilidade prevista no art. 107, inciso IV, do Código Penal. Ela nasce da lógica da ação penal privada: como o interesse em prosseguir é do ofendido, a lei entende que o abandono equivale à desistência de punir. Por isso a perempção não atinge a ação penal pública, tocada pelo Ministério Público.

O efeito é definitivo. Reconhecida a perempção, o Estado não pode mais punir aquele fato, e o processo se encerra sem julgamento do mérito da acusação.

As hipóteses de perempção do art. 60 do CPP

O art. 60 do Código de Processo Penal descreve as situações que caracterizam a perempção. Entre elas: quando o querelante deixa de promover o andamento do processo por trinta dias seguidos; quando, morto o querelante, não há quem o suceda no prazo legal; quando ele deixa de comparecer, sem justa causa, a ato do processo a que deva estar presente; e quando não formula o pedido de condenação nas alegações finais.

São descuidos que, isoladamente, parecem pequenos, mas produzem consequência grave. Deixar o processo estagnado por trinta dias, por exemplo, pode bastar para perder a ação.

Como evitar a perempção e um exemplo prático

Evitar a perempção é, sobretudo, uma questão de diligência: acompanhar prazos, comparecer aos atos, requerer providências para o processo andar e formular expressamente o pedido de condenação ao final. O querelante que se mantém ativo não corre esse risco.

Um exemplo torna concreto: alguém oferece queixa por crime contra a honra, mas depois perde o interesse e deixa o processo parado por mais de trinta dias, sem qualquer pedido ou providência. O juiz pode reconhecer a perempção e extinguir a punibilidade, encerrando o caso em favor do querelado.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.