Conta de parente falecido invadida e usada para golpes

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Um primo manda mensagem perguntando se está tudo bem, porque acabou de receber um pedido de Pix urgente do perfil do seu pai — que morreu há dois meses. A conta continuou ativa depois do falecimento, alguém conseguiu acesso a ela, e agora está usando o nome e as fotos de uma pessoa que não pode mais se defender para aplicar golpe contra quem confiava nela. Diferente da invasão de conta de alguém vivo, aqui quem precisa agir nunca teve a senha nem foi o titular do perfil: são os herdeiros.

Por que os herdeiros podem agir mesmo sem nunca terem controlado a conta

O Código Civil resolve essa legitimidade na abertura da sucessão: a herança se transmite desde logo aos herdeiros legítimos e testamentários no momento da morte, conforme o art. 1.784, o que inclui o direito de zelar pela imagem e pela memória de quem faleceu. Não é preciso ter sido administrador da conta nem ter a senha — basta comprovar o parentesco com certidão de óbito e documento que demonstre a condição de herdeiro para que a plataforma trate o pedido como legítimo.

O golpe em si: estelionato eletrônico contra quem confiava no falecido

Usar a conta invadida para pedir dinheiro aos contatos, alegando urgência ou emprestando a credibilidade de quem já morreu, é a conduta que o art. 171, § 2º-A, do Código Penal pune com reclusão de quatro a oito anos e multa, sempre que a fraude usa informação obtida por redes sociais, e-mail ou aplicação de internet. Cada contato que caiu no golpe é vítima direta desse crime, e vale orientá-los a registrar boletim de ocorrência próprio, além do que a família já vier a formalizar sobre a invasão da conta em si.

Por que a plataforma pode demorar mesmo com a certidão de óbito em mãos

É comum a família se frustrar com o tempo de resposta, mas a maioria das plataformas trata pedido envolvendo conta de pessoa falecida com um fluxo de verificação mais lento do que o de uma denúncia comum, justamente para evitar fraude na direção oposta — alguém tentando assumir a conta de um parente vivo alegando falsamente que ele morreu. Ter em mãos a certidão de óbito, documento de identidade do herdeiro solicitante e, se já houver, a abertura do inventário costuma reduzir esse tempo, ainda que raramente elimine a espera por completo.

Memorializar, encerrar ou deixar sob custódia: escolhas diferentes para problemas diferentes

A maioria das grandes redes sociais oferece pelo menos duas opções depois de comprovado o falecimento: transformar o perfil em memorial, travando login e impedindo qualquer novo acesso, ou encerrar definitivamente a conta. Diante de golpe em andamento, travar o acesso costuma ser mais urgente do que decidir entre as duas opções — a família pode pedir o bloqueio imediato da conta enquanto ainda avalia se prefere manter o perfil como memória ou encerrá-lo de vez.

Vale conversar em família antes de escolher: alguns parentes preferem o memorial, porque preserva fotos e mensagens antigas como lembrança, enquanto outros preferem o encerramento definitivo, sobretudo quando a conta já foi alvo de mais de uma tentativa de invasão depois da morte do titular. Não existe resposta certa — a decisão é da família, e o mais importante é que o acesso fique bloqueado ao invasor enquanto essa escolha amadurece.

Prazo para buscar reparação e quando formalizar com um advogado

O art. 206, § 3º, inciso V, do Código Civil fixa em três anos, contados da ciência do fato, o prazo da pretensão de reparação civil — regra que vale tanto para o pedido da família pelo transtorno causado quanto para o de cada vítima do golpe. Herdeiros que preferem não lidar sozinhos com o suporte de cada plataforma podem contratar um advogado pelo WhatsApp, enviando a certidão de óbito e os documentos do inventário digitalmente, com atuação válida ainda que os herdeiros morem em cidades diferentes.

Perguntas frequentes

É preciso esperar o inventário terminar para pedir o bloqueio da conta invadida?

Não. O pedido de bloqueio por golpe em andamento é tratado como urgência pela maioria das plataformas e pode ser feito assim que a família reúne a certidão de óbito, independentemente de o inventário já ter sido concluído.

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.