Falso suporte técnico acessou seu computador: o que fazer agora

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Uma janela pop-up avisou sobre um vírus crítico, um número de telefone apareceu na tela, e a pessoa do outro lado da linha pediu para instalar um programa de acesso remoto para resolver o problema. Só depois, ao ver o extrato bancário ou perceber arquivos sumidos, veio a certeza de que aquilo nunca foi suporte técnico de verdade.

Contenção imediata: cortar o acesso e trocar credenciais

Desligue o computador da internet assim que perceber o golpe, desinstale qualquer programa de acesso remoto instalado durante a ligação e formate ou faça uma varredura completa com antivírus atualizado antes de voltar a usar o equipamento para operações sensíveis. Em seguida troque, de outro dispositivo seguro, as senhas de e-mail, banco e redes sociais que possam ter sido acessadas ou visualizadas durante a sessão remota.

Duas condutas, dois crimes possíveis

O acesso ao seu computador sem autorização genuína, obtido mediante engano sobre a real finalidade do programa instalado, corresponde à invasão de dispositivo de uso alheio prevista no art. 154-A do Código Penal: aqui, em vez de quebrar uma barreira técnica, o criminoso vicia a autorização da vítima, que instala o programa acreditando falar com suporte verdadeiro. Se, durante ou depois do acesso, o golpista induziu você a transferir dinheiro ou fornecer dados bancários sob pretexto falso, soma-se o crime de estelionato do art. 171, §2º-A, praticado por meio de sistema informatizado, com pena mais severa do que a modalidade tradicional.

Documentos e registros que ajudam na apuração

Anote o número de telefone usado no contato, o nome do programa de acesso remoto instalado (a maioria registra logs de sessão com data e hora), qualquer captura de tela da mensagem de alerta que originou o contato, e os extratos bancários do período em que o acesso ocorreu. Esses elementos, reunidos no boletim de ocorrência, ajudam a delegacia de crimes cibernéticos a rastrear o número usado e eventuais transações vinculadas ao golpe.

Quando o banco recusa a devolução de valores movimentados

Se durante o acesso remoto o próprio golpista realizou transferências usando o aplicativo bancário aberto na sua tela, a instituição pode inicialmente tratar a operação como autorizada, já que partiu do dispositivo autenticado. Nesses casos, cabe reclamação formal detalhando que o acesso foi obtido por fraude, com os registros de instalação do programa remoto como evidência de que a operação não foi genuinamente autorizada por você.

O outro lado: quando a alegação de golpe não é suficiente sozinha

Se a vítima instalou o programa remoto por conta própria em resposta a uma oferta de suporte não solicitada, sem qualquer verificação da origem, e não há registro do contexto do alerta que motivou a ligação, a instituição financeira ou a plataforma podem questionar a ausência de cautela mínima esperada, o que pode dificultar, embora não impeça, o pedido de reparação integral.

Um exemplo: o alerta de licença vencida e a cobrança indevida

Imagine alguém que recebe uma ligação informando problema na licença do sistema operacional, aceita a instalação de um programa de acesso remoto para resolução, e só percebe a fraude quando encontra uma cobrança de serviço nunca contratado no cartão. Com os registros do programa instalado e o print da tela de alerta original, a vítima consegue sustentar tanto o boletim de ocorrência quanto a contestação formal da cobrança junto à administradora do cartão.

Acesso remoto com transferências: quando o caso pede advogado

Situações em que houve transferência de valores relevantes durante o acesso remoto, em que a instituição financeira nega qualquer responsabilidade, ou em que dados sigilosos de terceiros (clientes, empresa) foram expostos durante a sessão, costumam exigir acompanhamento por advogado particular com atendimento 100% digital, desde a reunião de provas técnicas até o encaminhamento da reclamação ou da ação cabível.

Perguntas frequentes

Formatar o computador apaga as provas do golpe?

Pode apagar registros importantes; sempre que possível, faça prints, anote dados e só depois formate, preservando cópias dos registros antes de qualquer limpeza do sistema.

O programa de acesso remoto em si já é ilegal?

Não, esses programas têm uso legítimo em suporte técnico real; o que caracteriza o crime é o engano usado para induzir a instalação e o acesso não autorizado que dele decorre.

Proveniência

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.