FIES e falecimento ou invalidez permanente: quando o saldo é quitado

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Uma carta de cobrança chegando em nome de um filho que já não está vivo é uma das situações mais duras que uma família enfrenta ao lidar com burocracia financeira. Para os contratos de FIES vinculados a essa modalidade específica de garantia, a lei prevê que o falecimento ou a invalidez permanente do estudante financiado gera a absorção do saldo devedor pela instituição financeira, sem que a dívida siga sendo cobrada dos herdeiros.

O que o art. 15-M da Lei 10.260/2001 determina

O art. 15-M da Lei 10.260/2001, incluído pela Lei 13.530/2017, estabelece que, nas hipóteses de falecimento ou invalidez permanente do estudante financiado pela modalidade de garantia ali referida, o saldo devedor é absorvido pela instituição financeira que concedeu o crédito, admitido o seguro prestamista contratado nos termos fixados pela própria instituição. As hipóteses precisam ser comprovadas na forma da legislação aplicável, o que costuma exigir certidão de óbito ou laudo de invalidez permanente.

Essa regra é específica da modalidade de financiamento com garantia do fundo garantidor ligada ao art. 15-D da mesma lei; contratos mais antigos, com fiador pessoa física, seguem outra lógica de garantia, e a família precisa verificar sob qual modalidade o contrato do falecido foi firmado.

O que fazer para acionar essa absorção do saldo

A família ou o próprio devedor, no caso de invalidez, deve procurar diretamente o agente financeiro responsável pelo contrato, apresentando a certidão de óbito ou o laudo médico de invalidez permanente, para formalizar o pedido de baixa do saldo devedor. O prazo e a documentação exata variam conforme o agente financeiro e o seguro contratado, o que torna o contato direto com a instituição o passo indispensável.

Enquanto o pedido não é formalizado, o sistema pode continuar gerando cobrança automática, mesmo sem intenção de cobrar efetivamente da família — por isso a comunicação formal e documentada não deve esperar.

Quando o contrato é mais antigo, com fiador

Em contratos anteriores à modalidade que prevê absorção automática do saldo, a existência de fiador pode significar que a dívida segue sendo exigível dele, conforme as regras gerais de fiança do Código Civil, e não pela regra específica do art. 15-M. Nessa hipótese, o caminho para discutir a extinção ou redução da dívida passa por outra análise contratual, específica daquele instrumento de garantia.

Perguntas frequentes

Toda dívida de FIES é quitada em caso de falecimento?

Não. A absorção automática do saldo pelo art. 15-M da Lei 10.260/2001 é própria da modalidade com garantia do fundo garantidor; contratos com fiador pessoa física seguem regras diferentes.

Que documento comprova a invalidez permanente para esse fim?

A lei exige comprovação na forma da legislação aplicável, geralmente laudo médico pericial; o agente financeiro do contrato deve ser consultado sobre a documentação específica exigida.

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