Quando o descumprimento permite desfazer o contrato

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Diante do outro que não cumpre, a parte lesada quase sempre quer saber a mesma coisa: dá para simplesmente encerrar o contrato agora, ou é preciso avisar antes e, no limite, ir à Justiça? A resposta depende de haver ou não cláusula resolutiva expressa e de como ela foi redigida.

Expressa: opera de pleno direito

Quando o contrato traz cláusula resolutiva expressa, o art. 474 do Código Civil diz que ela opera de pleno direito: verificado o inadimplemento previsto, o contrato se resolve sem precisar de decisão judicial que o desfaça. Isso não dispensa, na prática, comunicar o rompimento ao outro lado e apurar quem deve o quê, mas dá base para tratar o vínculo como extinto.

Tácita: exige interpelação ou ação

Sem cláusula expressa, a resolução por descumprimento não é automática. O art. 474 do Código Civil determina que a cláusula resolutiva tácita depende de interpelação judicial, e não de mero aviso informal. Já o art. 475 permite à parte prejudicada escolher entre pedir a resolução ou exigir o cumprimento, com perdas e danos em ambos os casos. Se houver disputa sobre a existência, a gravidade ou os efeitos do inadimplemento, caberá ao Judiciário decidir. Nem todo atraso autoriza romper: o descumprimento precisa retirar utilidade relevante da prestação esperada.

Quando a lei impõe um rito próprio de resolução

Em certos contratos, a resolução não segue a lógica geral. Na alienação fiduciária de imóvel, por exemplo, a Lei 9.514/1997 fixa um procedimento específico: o devedor é intimado a purgar a mora em prazo legal e, só depois, ocorre a consolidação da propriedade. Antes de tratar um contrato como encerrado, vale verificar se há norma especial que condicione a resolução a etapas próprias.

Perguntas frequentes

Qualquer atraso permite encerrar o contrato?

Não. O inadimplemento precisa ter peso suficiente. Descumprimento pequeno diante de um contrato quase todo cumprido pode não justificar a resolução, cabendo apenas cobrança e perdas e danos.

Preciso de decisão judicial para desfazer o contrato?

A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito, mas uma controvérsia sobre o inadimplemento ou seus efeitos pode exigir decisão judicial. Sem cláusula expressa, o art. 474 condiciona a resolução tácita à interpelação judicial.

Posso exigir o cumprimento em vez de encerrar?

Sim. O art. 475 dá à parte lesada a escolha entre pedir a resolução ou exigir o cumprimento do contrato, sempre com perdas e danos pelo prejuízo sofrido.

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