O que é o RIPD e quando ele é exigido

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Antes de lançar um sistema de reconhecimento facial num prédio comercial, ou de cruzar bases de saúde para pesquisa em larga escala, uma organização cautelosa costuma produzir um documento que mapeia os riscos daquele tratamento aos titulares. A LGPD chama esse documento de relatório de impacto à proteção de dados pessoais, o RIPD, definido pelo inciso XVII do art. 5º como a documentação do controlador que descreve os processos de tratamento capazes de gerar riscos às liberdades civis e aos direitos fundamentais.

Quando a lei exige esse relatório

O art. 38 estabelece que a ANPD pode determinar ao controlador que elabore o RIPD, inclusive para dados sensíveis, nos termos de regulamento específico. Não é, portanto, uma obrigação automática para todo tratamento — é um instrumento de fiscalização que a autoridade aciona conforme o risco identificado na operação, e que também pode ser exigido quando o fundamento do tratamento é o legítimo interesse, conforme o §3º do art. 10.

O que o relatório precisa conter

O parágrafo único do art. 38 fixa o conteúdo mínimo: descrição dos tipos de dados coletados, metodologia utilizada para a coleta e para a garantia da segurança das informações, e análise do controlador sobre as medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco adotados. O documento não precisa seguir um modelo único, mas precisa demonstrar, de forma concreta, como a empresa avaliou e reduziu o risco ao titular.

Segredo comercial não afasta o relatório

O art. 38 observa expressamente os segredos comercial e industrial, o que significa que a empresa pode restringir partes sensíveis do relatório ao divulgá-lo publicamente, mas não pode usar essa justificativa para deixar de produzi-lo quando a ANPD exigir, nem para omitir informação essencial à avaliação do risco pela autoridade.

Mesmo fora de uma exigência formal da ANPD, produzir um RIPD antes de lançar um sistema de maior risco costuma ser recomendável: o documento facilita comprovar boa-fé em eventual fiscalização e ajuda a própria empresa a identificar falhas de segurança antes que se tornem incidente.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.