Executar a sentença que reconheceu diferenças remuneratórias

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

A sentença transitou em julgado há sete meses, reconhecendo diferenças de cinco anos. Desde então, nada. Nem depósito, nem manifestação, nem previsão. Contra a Fazenda Pública, o recebimento não decorre automaticamente do trânsito em julgado: existe uma fase própria, com requisitos formais bem definidos, e é o cumprimento correto dessa etapa que faz o processo andar.

Passo 1: montar o demonstrativo exigido

O cumprimento de sentença que impõe à Fazenda o dever de pagar quantia certa começa com a apresentação, pelo exequente, de demonstrativo discriminado e atualizado do crédito, na forma dos arts. 534 e seguintes do Código de Processo Civil.

Esse demonstrativo precisa conter identificação completa do credor, índice de correção adotado, termo inicial e final da contagem, taxa de juros e periodicidade. Planilha malfeita é a principal causa de impugnação acolhida — e de meses perdidos.

Passo 2: aguardar e enfrentar a impugnação

Intimada, a Fazenda Pública pode impugnar em trinta dias, nos próprios autos, arguindo as matérias que o art. 535 do Código de Processo Civil enumera — entre elas falta ou nulidade da citação na fase de conhecimento, ilegitimidade, inexequibilidade do título e excesso de execução.

Quando a impugnação alega excesso, ela deve indicar o valor que entende correto. Isso permite o pagamento imediato da parte incontroversa enquanto a diferença é discutida — providência que costuma ser esquecida e que adianta bastante o recebimento.

Passo 3: entender a fila constitucional

Definido o valor, o pagamento não sai por transferência direta. Créditos contra a Fazenda são satisfeitos por requisição, e a Constituição estabelece o regime de precatórios, com a via mais rápida das requisições de pequeno valor para créditos abaixo do teto fixado em lei.

Verifique em qual faixa o seu crédito se enquadra. Em alguns casos vale avaliar a renúncia ao excedente para receber pela via célere — decisão que depende de conta concreta e não deve ser tomada por impulso.

Passo 4: acompanhar a expedição e o pagamento

Expedido o ofício requisitório, acompanhe a inscrição no orçamento e a data prevista de pagamento. Erros na requisição — nome, inscrição fiscal, natureza do crédito, valor — atrasam meses e são corrigíveis por petição simples se detectados cedo.

Confira também a natureza atribuída ao crédito: verbas com natureza alimentar têm posição própria na ordem de pagamento, e a classificação incorreta prejudica o credor.

Passo 5: cuidar dos descontos na fonte

Diferenças remuneratórias pagas de uma vez costumam sofrer retenção de imposto de renda e de contribuição previdenciária. Existem regras específicas para rendimentos recebidos acumuladamente, e a forma de cálculo influencia bastante o valor líquido.

Peça a discriminação do que foi retido e a memória de cálculo. Conduzir essa fase com advogado particular — que acompanha a planilha, a requisição e a retenção — é o que separa o recebimento integral de uma execução que se arrasta e chega reduzida, e todo o trabalho se faz por processo eletrônico.

O que pode travar tudo

Cálculo em desacordo com os índices definidos no título, inclusão de período além do reconhecido na sentença, duplicidade com valores já pagos administrativamente e ausência de documentos funcionais que comprovem o período são as causas mais frequentes de acolhimento da impugnação.

Antes de protocolar, confronte a sua planilha com o dispositivo da sentença, palavra por palavra. Executar mais do que o título reconhece costuma custar mais tempo do que executar o valor exato.

Perguntas frequentes

Posso pedir o pagamento da parte incontroversa?

Pode, e é recomendável quando a impugnação discute apenas parte do valor. O crédito reconhecido segue para requisição enquanto a diferença é decidida.

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.