O que a Lei 8.112 chama de dever funcional do servidor

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Um servidor recém-empossado costuma assinar o termo de posse sem parar para ler o que a lei espera dele no dia a dia do cargo. O art. 116 da Lei 8.112/1990 reúne justamente essa lista: doze incisos que descrevem condutas exigíveis de quem ocupa cargo público federal, da mais óbvia (exercer com zelo as atribuições) até a menos intuitiva (representar contra ilegalidade de que tenha conhecimento). Não é um enfeite normativo — é a régua usada pela corregedoria quando examina se um comportamento configurou falta funcional. Entender esse rol evita duas armadilhas: cumprir menos do que a lei exige (o que abre espaço para advertência ou suspensão) e supor que exceder zelo pessoal substitui o cumprimento de norma escrita, quando o que conta na apuração é a conduta descrita no dispositivo.

Os doze incisos e o que cada um cobra na prática

O caput do art. 116 lista deveres como zelo e dedicação às atribuições do cargo, lealdade às instituições, observância das normas legais e regulamentares, cumprimento de ordens superiores (com a ressalva de recusar ordem manifestamente ilegal) e atendimento com presteza ao público, à expedição de certidões e às requisições da Fazenda Pública. Também entram guardar sigilo sobre assunto da repartição, zelar pela economia do material e conservação do patrimônio público, manter conduta compatível com a moralidade administrativa, ser assíduo e pontual, tratar as pessoas com urbanidade e representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.

Quando o descumprimento vira falta disciplinar

A inobservância de um dever do art. 116 não gera, por si só, punição automática. A Lei 8.112 exige apuração — sindicância ou processo administrativo disciplinar — que avalie gravidade, reincidência e prejuízo ao serviço antes de aplicar penalidade prevista em outro dispositivo da própria lei (advertência, suspensão, demissão, conforme o caso). Um atraso isolado não tem o mesmo peso que descumprimento sistemático do dever de assiduidade, por exemplo.

Relação com o art. 117: dever e proibição não se confundem

O art. 116 descreve o que se espera do servidor; o art. 117, em outro dispositivo da mesma lei, descreve o que lhe é vedado. São listas complementares, mas com lógica oposta: uma prescreve conduta positiva, a outra veda conduta específica. Isso evita a leitura de que bastaria evitar as proibições do art. 117 para estar em dia com a Lei 8.112 — os dois rols convivem e são cobrados de forma independente.

Perguntas frequentes

O rol do art. 116 é taxativo ou exemplificativo?

É taxativo quanto aos incisos listados, mas cada inciso comporta interpretação ampla conforme o caso concreto analisado na apuração disciplinar.

Servidor temporário ou comissionado também se submete ao art. 116?

Sim, mas por vias distintas: quem ocupa cargo efetivo, cargo em comissão ou função de confiança se submete ao art. 116 por integrar diretamente o regime da Lei 8.112/1990; já o servidor contratado por tempo determinado (Lei 8.745/1993) se submete ao mesmo rol de deveres por remissão expressa do art. 11 daquela lei, que estende o art. 116 da Lei 8.112 ao pessoal temporário, ainda que ele não ocupe cargo público.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.