O que é denunciação caluniosa

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Ser alvo de uma acusação falsa já é angustiante; pior ainda quando quem acusa sabia que você era inocente e, mesmo assim, movimentou a máquina do Estado contra você. Esse comportamento tem nome no Código Penal: denunciação caluniosa. Este verbete explica o que a lei exige para configurar o crime, qual a pena e por que ele não se confunde com a calúnia comum.

O que o art. 339 exige para configurar o crime

O art. 339 do Código Penal pune quem dá causa à instauração de inquérito policial, procedimento investigatório, processo judicial, processo administrativo disciplinar, inquérito civil ou ação de improbidade contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente. A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa.

Dois elementos são decisivos. Primeiro, é preciso que a falsa acusação efetivamente provoque uma apuração oficial, e não apenas um boato. Segundo, exige-se que o autor saiba da inocência do acusado; quem denuncia por engano sincero, acreditando no que diz, não comete esse crime. A pena aumenta de sexta parte se o autor se vale de anonimato ou de nome suposto.

Como se diferencia da calúnia contra a honra

A calúnia, do art. 138, é atribuir falsamente a alguém a prática de um crime, atingindo a honra da pessoa; ela se completa com a ofensa, ainda que sem qualquer investigação. A denunciação caluniosa vai além: o que a lei reprova é ter posto em marcha um aparato de apuração contra quem se sabe inocente.

Na prática, quem espalha que o vizinho é ladrão pode responder por calúnia; quem registra um boletim de ocorrência ou representa formalmente imputando um furto que sabe não ter ocorrido, provocando um inquérito, aproxima-se da denunciação caluniosa. É a movimentação indevida da persecução que caracteriza a figura mais grave.

O que fazer diante de uma acusação falsa deliberada

Se você foi acusado com falsidade consciente, o primeiro passo é preservar tudo o que demonstre a sua inocência e a má-fé de quem acusou: mensagens, testemunhas e o próprio resultado da apuração que o inocentou. Concluída a investigação a seu favor, é possível levar os fatos ao Ministério Público e à autoridade policial para apurar a conduta do denunciante.

Vale lembrar que denunciar de boa-fé, mesmo que a suspeita depois não se confirme, é um direito e não caracteriza crime. A linha está na consciência da inocência alheia. Diante de uma situação assim, a orientação de um advogado ou da Defensoria Pública ajuda a medir o cabimento e a reunir as provas certas.

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