Como funciona a autorização de viagem internacional de criança ou adolescente

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Viagem internacional de criança ou adolescente sem os dois pais presentes exige, como regra, uma formalidade que muitas famílias só descobrem no balcão do check-in: autorização de viagem, com previsão específica no Estatuto da Criança e do Adolescente. Entender quando ela é exigida, quando é dispensada e como obtê-la evita imprevisto de última hora antes do embarque.

Quando a autorização não é necessária

O artigo 84 do Estatuto da Criança e do Adolescente dispensa a autorização quando a criança ou o adolescente viaja acompanhado de ambos os pais, ou de um deles com autorização expressa do outro por documento com firma reconhecida. Fora dessas duas hipóteses, a viagem internacional sem acompanhamento de responsável exige autorização judicial prévia, conforme o artigo 85 do mesmo Estatuto.

O caminho mais comum: consentimento com firma reconhecida

Quando o filho viaja com apenas um dos pais, ou sozinho, o caminho mais simples costuma ser obter do outro genitor um documento de autorização com firma reconhecida em cartório, informando destino, período da viagem e responsável pelo acompanhamento. Esse consentimento formal, hoje, também pode ser produzido por meios eletrônicos de reconhecimento de assinatura oferecidos pelos cartórios, sem alterar a exigência legal de fundo.

Quando é preciso pedir autorização ao juiz

Se o outro genitor se recusa a autorizar, está desaparecido, ou há divergência sobre o destino ou a duração da viagem, o caminho passa a ser o pedido de suprimento judicial de autorização, apresentado à vara de família ou à vara da infância e da juventude, que decide considerando o interesse da criança e os motivos apresentados para a viagem.

Documentos que costumam ser exigidos

Passaporte da criança ou do adolescente, documento de identidade dos pais, comprovante de autorização com firma reconhecida quando aplicável, e, em viagens para países que exigem, comprovante de reserva ou convite formam o conjunto básico de documentos verificados no embarque internacional.

O que acontece quando a autorização não é apresentada

A ausência de autorização válida no momento do embarque costuma resultar em impedimento de saída do país pela própria fiscalização de fronteira, independentemente de a viagem ter sido combinada informalmente entre os pais — por isso a formalização prévia, e não a promessa verbal entre os genitores, é o que efetivamente garante a viagem.

Diferença entre autorização de viagem e suprimento judicial

A autorização com firma reconhecida resolve os casos de consenso entre os pais; o suprimento judicial de consentimento é o caminho quando há recusa, impossibilidade de localizar o outro genitor ou discordância sobre os termos da viagem — são instrumentos distintos, para situações de fato diferentes.

Um exemplo de situação que costuma gerar dúvida

Uma mãe que planeja viajar sozinha com o filho para visitar parentes no exterior, enquanto o pai mora em outra cidade e está sem contato recente, precisa se antecipar: sem conseguir a firma reconhecida do pai a tempo, o caminho é pedir o suprimento judicial com antecedência suficiente para que a decisão saia antes da data da viagem, já que pedidos de última hora nem sempre são apreciados a tempo.

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