Os três níveis de assinatura eletrônica no Brasil

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

A Lei 14.063/2020 organiza as assinaturas eletrônicas em simples, avançada e qualificada para as interações e atos abrangidos por ela, especialmente relações com entes públicos e atos na área de saúde. Essa classificação ajuda a comparar mecanismos de identificação e integridade, mas não significa que todo contrato privado esteja sujeito ao mesmo nível: a Medida Provisória 2.200-2/2001 também admite outros meios aceitos pelas partes ou por quem receberá o documento.

Assinatura eletrônica simples: identificação básica

O inciso I do art. 4º considera simples a assinatura que permite identificar o signatário ou associa dados a outros dados eletrônicos do signatário. Login, senha e registro de aceite podem compor esse mecanismo, conforme a implementação. A categoria tem menos requisitos técnicos legais que as seguintes; isso não autoriza presumir fraude nem dispensa a produção de evidência adequada quando a autoria for contestada.

Assinatura eletrônica avançada: vínculo e integridade reforçados

O inciso II exige associação unívoca ao signatário, uso de dados de criação sob seu controle com elevado nível de confiança e ligação ao documento capaz de detectar alteração posterior. Ela pode empregar certificado fora da ICP-Brasil ou outro meio apto a cumprir esses requisitos. Em negócios privados, a aceitação do método e a trilha técnica também são relevantes à luz do §2º do art. 10 da MP 2.200-2/2001.

Assinatura eletrônica qualificada: a que usa certificado ICP-Brasil

O inciso III reserva o nível mais alto para a assinatura que utiliza certificado digital nos termos do §1º do art. 10 da Medida Provisória 2.200-2/2001 — ou seja, certificado emitido dentro da cadeia da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). O §1º do art. 4º explica que os três tipos caracterizam o nível de confiança sobre identidade e manifestação de vontade do titular, e que a qualificada é a de nível mais elevado justamente por depender de normas, padrões e procedimentos técnicos definidos para essa cadeia.

O nível adequado depende do ato e do risco

A lei pode exigir assinatura qualificada ou admitir níveis diferentes conforme o ato abrangido. Fora dessas hipóteses, forma exigida por lei, acordo das partes, identidade, integridade e qualidade da evidência orientam a escolha. Um método simples não é automaticamente inválido, e uma plataforma que chama seu processo de “assinatura digital” não o transforma, por esse rótulo, em assinatura qualificada da ICP-Brasil.

Proveniência

Onde buscar este serviço

O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.