A decisão interlocutória resolve questão sem ser sentença

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 4 fontes oficiais verificadas

Decisão interlocutória é o pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadra na definição de sentença. Ela surge durante o processo para resolver tutela provisória, prova, competência, intervenção de terceiro, parte do mérito ou outra questão incidente. O nome dado na movimentação ajuda, mas o conteúdo do ato é o que define sua natureza.

Conteúdo decisório distingue a categoria

O art. 203, § 2º, do Código de Processo Civil adota definição residual: se o pronunciamento decide questão e não encerra a fase de conhecimento nem extingue a execução nos termos reservados à sentença, é interlocutório. Um simples impulso sem escolha judicial relevante é despacho.

Decidir apenas parte do mérito pelo art. 356 também gera decisão interlocutória. Por isso, “mérito” não é sinônimo automático de sentença.

Algumas decisões admitem agravo imediato

O art. 1.015 enumera matérias para agravo de instrumento, como tutela provisória, convenção de arbitragem, incidente de desconsideração, gratuidade e exibição de documento, além de outras hipóteses legais e decisões na liquidação, cumprimento, execução e inventário. O prazo recursal segue as regras gerais do CPC.

Identificar decisão interlocutória é apenas o primeiro passo. No Tema Repetitivo 988, o STJ assentou que o rol do art. 1.015 tem taxatividade mitigada: também cabe agravo quando a urgência decorre da inutilidade de examinar a questão somente na apelação.

Uma ordem interlocutória fora da lista que produza efeito urgente e inútil de discutir apenas na apelação pode comportar agravo pelo Tema 988; mero inconformismo sem essa urgência não basta.

Questões não agraváveis podem ser preservadas para a apelação

O art. 1.009, § 1º, estabelece que questões decididas na fase de conhecimento que não comportam agravo de instrumento não ficam cobertas pela preclusão e podem ser levantadas em preliminar de apelação ou nas contrarrazões. A parte deve registrar sua discordância de modo adequado e conferir se realmente não havia recurso imediato.

Deixar passar agravo cabível pode encerrar a oportunidade. Recorrer de todo ato sem cabimento também cria custo e risco processual.

Fundamentação permite compreender e impugnar

Como qualquer decisão judicial, o pronunciamento interlocutório deve explicar sua relação com fatos, argumentos e norma aplicada. O art. 489 afasta fundamentação genérica, e a Constituição exige motivação e publicidade, ressalvado o sigilo legítimo.

A leitura deve separar comando, razões e data de intimação. Pedido de reconsideração não substitui recurso e, em regra, não interrompe por si só o prazo para agravar. A decisão também pode fixar providências e prazos destinados a preparar a etapa seguinte do processo.

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