A sentença encerra uma fase, mas nem sempre todo o processo

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Sentença é o pronunciamento pelo qual o juiz, com base nos arts. 485 ou 487 do Código de Processo Civil, encerra a fase de conhecimento do procedimento comum ou extingue a execução. Ela pode resolver o mérito ou terminar a etapa por questão processual. A publicação não significa necessariamente pagamento imediato nem fim definitivo da causa.

Sem mérito, a pretensão pode permanecer sem resposta

O art. 485 reúne hipóteses de extinção sem resolução do mérito, como indeferimento da inicial, abandono, falta de pressuposto processual, ilegitimidade, litispendência e coisa julgada. Conforme a causa e a correção do defeito, pode ser possível propor nova ação. Isso não ocorre de modo irrestrito: prazo material, custas e requisitos do § 1º ou do art. 486 devem ser observados.

O dispositivo da sentença mostra exatamente qual fundamento encerrou a fase.

Com mérito, o juiz resolve a pretensão submetida

Há resolução de mérito quando a decisão acolhe ou rejeita pedido, reconhece prescrição ou decadência, ou homologa reconhecimento, transação ou renúncia nas hipóteses do art. 487. O resultado pode ser total ou parcial quanto ao que restou para sentenciar. Uma decisão parcial de mérito durante o curso, porém, é classificada pelo CPC como interlocutória e segue recurso próprio.

Ler apenas “procedente” ou “improcedente” não revela condenações, prazos e capítulos autônomos.

Uma decisão que reconhece a prescrição resolve o mérito; outra que indefere a inicial por defeito não corrigido o encerra sem mérito, embora ambas sejam sentenças.

Fundamentação e dispositivo cumprem papéis distintos

O relatório contextualiza; os fundamentos analisam fatos e direito; o dispositivo resolve as questões principais. O art. 489 rejeita motivação aparente, como citar norma sem ligá-la ao caso ou ignorar argumento capaz de afastar a conclusão. A Constituição também exige publicidade e fundamentação das decisões judiciais, ressalvadas limitações legítimas de acesso.

Para cumprir ou recorrer, deve-se comparar razões e comandos, sem transformar a ementa ou a movimentação em substitutos do inteiro teor.

Recurso, trânsito e cumprimento são etapas posteriores

Da sentença cabe normalmente apelação, observadas exceções e prazo do procedimento. Embargos de declaração podem ser adequados para omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Enquanto houver recurso cabível, é preciso verificar seus efeitos e eventual execução provisória.

Após o trânsito em julgado, uma condenação ainda pode exigir liquidação e cumprimento de sentença. Assim, “processo sentenciado” descreve um marco; a movimentação seguinte informa se haverá recurso, baixa ou fase executiva.

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