A fiança continua valendo depois que o contrato vence?

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

O fim do prazo original da locação não encerra necessariamente a fiança. O art. 39 da Lei 8.245/1991 estabelece, salvo disposição contratual em contrário, que as garantias se estendem até a devolução efetiva do imóvel, mesmo quando a locação se prorroga por prazo indeterminado. A resposta concreta, porém, depende do texto da garantia e de eventuais aditamentos.

A continuidade da ocupação nas condições legais pode manter a fiança, especialmente quando o instrumento prevê responsabilidade até a entrega das chaves. O STJ reconhece essa extensão e distingue a mera prorrogação de uma alteração que cria obrigações novas. Por isso, a falta de assinatura em um aditivo de prorrogação não resolve sozinha a controvérsia.

A Súmula 214 protege contra obrigação não anuída

Segundo a Súmula 214 do STJ, o fiador não responde por obrigações resultantes de aditamento ao qual não anuiu. A regra alcança mudanças negociais que ampliem ou alterem a obrigação, e não deve ser aplicada mecanicamente à prorrogação que decorre da lei e do contrato original. É preciso comparar os instrumentos para saber se houve apenas continuidade ou verdadeira modificação.

O próprio contrato pode limitar a duração

O art. 39 ressalva disposição contratual em contrário. Cláusula que encerra a garantia no termo, limita valor ou exige nova anuência pode afastar ou restringir a cobrança posterior. Também se examinam validade da fiança, assinatura, outorga conjugal quando aplicável e extensão objetiva dos encargos.

Como o fiador encerra a obrigação futura

Na prorrogação por prazo indeterminado, o art. 40, X, permite notificar o locador da intenção de desoneração. Os efeitos da fiança permanecem por cento e vinte dias após essa notificação. O exercício não apaga débitos anteriores nem dispensa a prova de recebimento.

Aluguel atrasado dois anos após o termo

Um contrato de trinta meses contém garantia até a entrega das chaves e se prorroga sem alteração das condições. Dois anos depois surge inadimplemento. A simples ausência de novo aditivo não encerra a fiança; seria diferente se locador e inquilino tivessem criado obrigação adicional sem anuência do fiador. A leitura conjunta dos documentos por advogado particular pode ser feita remotamente, sem antecipar a responsabilidade patrimonial.

Perguntas frequentes

A fiança sempre termina na data final escrita no contrato?

Não. A regra do art. 39 é extensão até a devolução efetiva, inclusive na prorrogação indeterminada, salvo disposição contratual em contrário e observados os limites da garantia.

Qualquer aditamento vincula o fiador sem assinatura?

Não. A Súmula 214 do STJ afasta responsabilidade por obrigações resultantes de aditamento ao qual o fiador não anuiu.

Proveniência

Conteúdos relacionados

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.