Encontrei uma réplica do meu produto no mercado: como reagir

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 4 fontes oficiais verificadas

Ver o formato de um produto próprio replicado por um concorrente costuma provocar reação imediata, e a resposta certa muda bastante conforme o produto original tenha ou não registro de desenho industrial. As duas situações abrem caminhos jurídicos diferentes, com força e velocidade distintas.

Com registro concedido: os crimes e a indenização dos arts. 187 e 188

O art. 187 da LPI tipifica fabricar, sem autorização, produto que incorpore desenho industrial registrado ou imitação substancial capaz de induzir em erro ou confusão. O art. 188 alcança a importação para fins econômicos e, em seu inciso II, a venda, exposição, estoque ou ocultação de produto que a pessoa saiba ter sido fabricado ilicitamente. Essa ciência integra a descrição penal da conduta comercial. Na esfera cível, o art. 209 admite perdas e danos por violação de propriedade industrial, sem transformar toda a cadeia comercial em responsável penal automático.

Sem registro: a via da concorrência desleal

Sem registro concedido, a semelhança visual não cria, sozinha, exclusividade equivalente à do desenho industrial. A tutela por concorrência desleal exige demonstrar fatos que se ajustem ao art. 195, III, como emprego de meio fraudulento apto a desviar clientela, além do contexto de mercado e do risco de confusão. Direito autoral ou outros fundamentos podem coexistir quando seus requisitos próprios estiverem presentes.

O primeiro passo prático: reunir prova da criação e da cópia

Antes de qualquer notificação, vale reunir documentação que comprove a data de criação e de lançamento do produto original — projetos, notas fiscais, campanhas publicitárias, o próprio certificado de registro se houver — e registrar de forma organizada a cópia encontrada no mercado: fotos, embalagens, comprovantes de compra do produto imitador. Essa base documental sustenta tanto a notificação extrajudicial quanto uma eventual ação judicial.

Notificação extrajudicial: pressão antes de judicializar

A notificação pode exigir a interrupção da fabricação ou da venda e abrir espaço para composição, mas não é requisito universal da ação nem define, por si só, todo o período indenizável. Seu conteúdo deve identificar o título invocado, a configuração protegida e o produto questionado sem afirmar como fato o que ainda depende de comparação técnica.

A via judicial quando a notificação não resolve

Não havendo resposta ou acordo, a ação cabível busca a cessação da fabricação e venda do produto, além de indenização com base no art. 209. Costuma-se cumular esse pedido com tutela de urgência para interromper a venda do item imitador enquanto o mérito é discutido, principalmente quando o volume de vendas ou a proximidade do produto com o original tornam o dano contínuo e de difícil reparação posterior.

Quando o pedido de infração encontra resistência

Um concorrente notificado costuma responder alegando que o formato copiado é comum ou determinado pela função — hipótese que, se comprovada, esvazia a proteção do registro, já que a forma ditada pela técnica é excluída pelo art. 100 da LPI. Também é possível que o registro invocado tenha alguma fragilidade formal, abrindo caminho para pedido de nulidade como defesa. Por isso, mesmo com registro concedido, a força do caso depende de o desenho realmente atender a novidade e originalidade, e não apenas de existir um certificado.

Um exemplo para situar o problema

Exemplo hipotético: uma fabricante de utensílios lança uma linha com configuração ornamental de cabo registrada como desenho industrial e encontra produto concorrente visualmente próximo. Antes de afirmar infração, ela preserva o certificado, as figuras depositadas, as datas de lançamento e um exemplar do produto questionado. A comparação deve separar o aspecto ornamental registrado de eventual ergonomia ditada pela função. Se houver imitação substancial, a notificação e a ação de cessação com perdas e danos podem ser avaliadas; se a coincidência estiver apenas na solução funcional, o registro de desenho industrial não basta.

Perguntas frequentes

É possível agir contra a cópia antes mesmo de o registro ser concedido, apenas com o pedido depositado?

A proteção plena decorre da concessão do registro; enquanto o pedido está apenas depositado, a defesa mais consistente costuma se apoiar na concorrência desleal, até a concessão sair.

A cópia parcial do produto já configura infração?

Depende do grau de semelhança: a lei fala em reprodução ou imitação substancial capaz de induzir em erro ou confusão, o que exige avaliação técnica caso a caso, não uma regra fixa de percentual copiado.

Proveniência

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.