Direito de precedência: a exceção legal para quem já usava a marca antes
A propriedade da marca nasce, em regra, do registro. O § 1º do art. 129 cria uma exceção para o usuário de boa-fé que, na data da prioridade ou do depósito de terceiro, já usava no Brasil havia pelo menos seis meses marca idêntica ou semelhante para produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim. No procedimento atual do INPI, a precedência deve ser reivindicada e provada em oposição; ela não surge automaticamente do tempo de uso.
O que diz o art. 129, §1º, da LPI
O usuário anterior precisa demonstrar cumulativamente boa-fé, uso no Brasil, continuidade por pelo menos seis meses antes da data relevante, proximidade dos sinais e identidade, semelhança ou afinidade dos produtos ou serviços.
Segundo o Manual de Marcas, a reivindicação é apresentada em oposição ao pedido de terceiro e deve vir acompanhada das provas. Também é necessário comprovar o depósito de pedido próprio para a marca disputada.
Como o uso anterior precisa ser comprovado
O conjunto probatório deve mostrar uso continuado no período pertinente. Documentos datados, como notas fiscais, contratos, catálogos, publicidade e outros registros idôneos, podem contribuir quando vinculam o sinal ao mercado brasileiro.
O Manual considera, para esse exame, documentos emitidos ou publicados nos cinco anos que antecedem a prioridade ou o depósito atacado. Prova situada apenas fora da janela pertinente ou sem ligação com uso efetivo pode ser insuficiente.
Diferença entre direito de precedência e nulidade de registro já concedido
O rito administrativo descrito pelo INPI concentra a alegação de precedência na oposição. Se o registro de terceiro já tiver sido concedido, outras vias de nulidade podem ser avaliadas conforme prazo, fundamento e jurisprudência, mas não se deve prometer que a mesma reivindicação será simplesmente transferida para qualquer etapa.
A existência de PAN ou ação judicial não dispensa análise de legitimidade, tempestividade e prova. Também não transforma uso anterior em registro automático.
Um estúdio de design que usava o nome antes do depósito de terceiro
Considere um estúdio que usava o sinal de forma contínua no Brasil e possui documentos dentro da janela aplicável. Ao identificar a publicação de pedido semelhante para serviços afins, ele pode apresentar oposição, invocar o § 1º e comprovar o depósito de seu próprio pedido.
Se ambas as partes demonstrarem pré-uso pelo período exigido, o Manual informa que prevalece quem primeiro depositou, independentemente de quem começou a usar antes.
Perguntas frequentes
O direito de precedência garante automaticamente o registro para quem usava antes?
Não. É preciso alegar a precedência em oposição, provar os requisitos e comprovar o depósito do próprio pedido. O pedido do usuário anterior também será examinado e pode ser indeferido por outro fundamento.
Uso de má-fé, sabendo que outra empresa já preparava o depósito, conta para o direito de precedência?
Não. A boa-fé é requisito expresso. O Manual também estabelece critérios administrativos próprios para caracterizá-la; o exame considera o histórico e as circunstâncias documentadas, não apenas uma declaração do opositor.
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