Como pedir a justa causa do empregador pela rescisão indireta

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Quando é o patrão quem descumpre o contrato, humilha ou deixa de pagar, o trabalhador não fica preso a essa relação. O artigo 483 da CLT cria a chamada rescisão indireta, apelidada de justa causa do empregador: o empregado pode considerar o contrato rescindido e pleitear a devida indenização quando a empresa comete uma falta grave. Na prática, é o espelho invertido da justa causa. Se o artigo 482 lista as faltas do empregado, o artigo 483 lista as faltas do empregador que autorizam a saída com direito às verbas de uma dispensa sem justa causa.

As faltas do empregador que autorizam a saída

O artigo 483 enumera as condutas que permitem a rescisão indireta. Entre elas estão exigir serviços superiores às forças do empregado, defesos por lei ou alheios ao contrato; tratá-lo com rigor excessivo; expô-lo a perigo manifesto de mal considerável; deixar de cumprir as obrigações do contrato, como o não pagamento de salários e o não recolhimento do FGTS; praticar, o empregador ou seus prepostos, ato lesivo à honra do trabalhador ou de sua família; ofendê-lo fisicamente, salvo legítima defesa; e reduzir o trabalho por peça ou tarefa de forma a afetar sensivelmente o salário.

O descumprimento contratual da alínea d é a hipótese mais comum, sobretudo os atrasos reiterados de salário e a ausência de depósitos do FGTS.

Permanecer no emprego ou sair de imediato

Uma dúvida frequente é se o empregado precisa abandonar o trabalho para ajuizar a ação. O parágrafo terceiro do artigo 483 permite que, nos casos de descumprimento de obrigações contratuais e de redução do trabalho por tarefa, o empregado pleiteie a rescisão indireta em juízo permanecendo ou não no serviço até a decisão.

Essa possibilidade protege quem não pode simplesmente ficar sem renda enquanto discute o direito. Em outras hipóteses, especialmente as mais graves, o afastamento imediato costuma ser inevitável.

Provas, riscos e o desfecho do pedido

A rescisão indireta exige prova robusta da falta grave do empregador, e esse é o principal risco. Se o juízo entende que a falta não ficou demonstrada ou não é grave o suficiente, o pedido pode ser negado, e a saída do empregado ser lida como pedido de demissão, com perda de verbas.

Por isso, guarde contracheques que mostrem atrasos, extratos do FGTS, comunicações internas, atestados e nomes de testemunhas. O reconhecimento da rescisão indireta na Justiça do Trabalho garante aviso prévio, multa de quarenta por cento do FGTS, saque do fundo e habilitação ao seguro-desemprego, como em qualquer dispensa sem justa causa.

Perguntas frequentes

Se meu pedido de rescisão indireta for negado, o que acontece?

Se a falta grave do empregador não for reconhecida, o rompimento pode ser tratado como pedido de demissão, sem direito a aviso prévio, multa do FGTS e seguro-desemprego. Por isso a prova da conduta do empregador é decisiva antes de sair.

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