Permissões excessivas de aplicativo: o limite que a LGPD impõe

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Um aplicativo de lanterna, calculadora ou conversor de arquivo pede acesso à sua lista de contatos, às fotos armazenadas no celular e à localização em tempo real — funções que nada têm a ver com o que o app promete fazer. Esse descompasso entre a função anunciada e o volume de dados solicitado é justamente o que a LGPD chama de tratamento além do necessário.

O princípio da necessidade limita o que o app pode pedir

O art. 6º da LGPD determina que a coleta de dados se limite ao mínimo necessário para realizar a finalidade do serviço. Um aplicativo de edição de foto pode justificar o acesso à galeria de imagens, mas dificilmente justifica acesso simultâneo a contatos e à localização contínua, salvo se essas funções estiverem realmente integradas ao que o app se propõe a fazer.

O aplicativo precisa explicar o efeito da recusa

Uma permissão pode ser indispensável a determinada função e dispensável a outra. Se o tratamento for condição para fornecer produto, serviço ou exercer direito, o art. 9º, § 3º, da LGPD exige informação destacada sobre esse fato e sobre os meios de exercício dos direitos do titular. Bloquear todo o aplicativo por recusa a acesso sem relação demonstrável com a função central é sinal para examinar necessidade e adequação, mas a conclusão depende da função, da base legal e da alternativa oferecida.

Como avaliar se o pedido de permissão é razoável

Pergunte, para cada permissão solicitada, se a função central do app realmente depende dela. Um aplicativo de transporte por app precisa de localização; um de leitura de PDF, normalmente não precisa de acesso a contatos nem à câmera. Verificar essa relação antes de aceitar tudo automaticamente evita expor dados sem necessidade.

O que fazer diante de um app que exige permissão sem justificativa

É possível negar permissões específicas diretamente nas configurações do celular, mesmo depois de instalado o app, e observar se o serviço continua funcional. Se o aplicativo insistir em bloquear o uso por causa da recusa de uma permissão claramente dispensável, cabe avaliar a política de privacidade do desenvolvedor e, se for o caso, denunciar à Agência Nacional de Proteção de Dados.

Perguntas frequentes

Desinstalar o app apaga os dados que ele já coletou?

Não necessariamente. A desinstalação remove o aplicativo do aparelho, mas dados enviados ao servidor podem permanecer. O titular pode pedir confirmação e acesso e, conforme a base, a necessidade e as hipóteses de conservação, exercer bloqueio, eliminação, revogação do consentimento ou oposição. O art. 18 não transforma todo pedido de exclusão em apagamento automático.

Proveniência

Onde buscar este serviço

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