Quais são as bases legais que autorizam o tratamento de dados
Muita gente associa a LGPD só ao pedido de consentimento que aparece em pop-ups de site, mas essa é apenas uma entre dez hipóteses que a lei aceita como justificativa para tratar dado pessoal. Boa parte do tratamento de dados no dia a dia das empresas — folha de pagamento, nota fiscal, prevenção a fraude — nem passa pelo consentimento, porque se apoia em outra base legal.
O rol do art. 7º
A lista inclui, entre outras: consentimento do titular; cumprimento de obrigação legal ou regulatória; execução de políticas públicas; realização de estudos por órgão de pesquisa; execução de contrato do qual o titular seja parte; exercício regular de direitos em processo judicial ou administrativo; proteção da vida ou da incolumidade física; tutela da saúde; legítimo interesse do controlador; e proteção do crédito, inclusive quanto à legislação pertinente.
Por que a escolha da base importa
Cada hipótese tem lógica e limite próprios: consentimento pode ser revogado a qualquer momento pelo titular, enquanto obrigação legal não depende da vontade dele. Escolher a base errada — por exemplo, apoiar em consentimento um tratamento que já decorre de obrigação fiscal — cria uma fragilidade desnecessária, porque sujeita a operação a uma revogação que a lei nem exige.
Dado sensível segue lista à parte
Vale um alerta: o rol do art. 7º vale para dado pessoal comum. Quando o dado é sensível — saúde, origem racial, orientação sexual, entre outros —, a hipótese aplicável passa a ser o art. 11, com um leque mais restrito de bases legais disponíveis.
Como escolher entre bases que parecem se sobrepor
É comum que mais de uma base pareça, à primeira vista, aplicável ao mesmo tratamento — envio de nota fiscal por e-mail pode se apoiar em execução de contrato ou em cumprimento de obrigação legal, por exemplo. A boa prática é escolher a base que reflete com mais precisão a razão real da coleta, documentando essa escolha, porque a base declarada é o que a empresa vai precisar sustentar diante de uma reclamação de titular ou de fiscalização da ANPD.
A base não substitui os princípios do art. 6º
Ter uma base legal válida não dispensa a observância dos princípios de necessidade, finalidade e transparência: um tratamento apoiado em execução de contrato, por exemplo, ainda precisa se limitar ao dado estritamente necessário para cumprir aquele contrato, e não pode se estender a outra finalidade sem nova análise de base legal.
Proveniência
Conteúdo informativo; não substitui a análise individual de um advogado sobre o seu caso.
Onde buscar este serviço
O caminho descrito nesta página é público e não depende de contratação particular. Estes são os canais oficiais de atendimento:
- Defensoria Pública do seu estado ou da União, para orientação e representação jurídica gratuitas a quem não pode pagar advogado.
- O encarregado de dados (DPO) da própria empresa e, se não houver resposta, a ANPD pelos canais oficiais de petição.
Conteúdos relacionados
Links internos
Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.