Em quanto tempo sai um inventário feito em cartório
A grande vantagem da via extrajudicial é a rapidez, mas rápido não é instantâneo. O tempo real de um inventário em cartório depende menos do cartório e mais de duas etapas externas: reunir certidões e recolher o imposto. Esta página traça um cronograma realista, para a família planejar sem frustração, e aponta onde o processo costuma emperrar.
O ato notarial em si é rápido
Depois que a documentação está completa e o imposto pago, a lavratura e a assinatura da escritura ocorrem em questão de dias. Havendo consenso entre herdeiros capazes, sem testamento a cumprir, o tabelião conduz o ato de forma ágil, inclusive por videoconferência.
Ou seja: a etapa que assusta as pessoas — ir ao cartório — costuma ser a mais curta. O tempo se concentra no que vem antes.
O gargalo das certidões
A fase mais imprevisível é a de reunir e sanear documentos: certidão de óbito, provas dos vínculos, matrículas atualizadas dos imóveis e, sobretudo, as certidões fiscais. Como a partilha exige prova de quitação dos tributos, uma pendência fiscal do falecido pode alongar bastante o prazo.
Certidões vencem, o que obriga a renovar; débitos precisam ser parcelados ou contestados. Essa etapa vai de poucas semanas a alguns meses, conforme a regularidade da situação do falecido.
O tempo do ITCMD
O recolhimento do imposto tem ritmo próprio, ditado pelo fisco estadual: é preciso declarar os bens, aguardar a avaliação e a emissão da guia e efetuar o pagamento. Quando há imóveis em estados diferentes, esse passo se repete em cada fisco, o que soma tempo.
Eventual discussão sobre o valor atribuído aos bens, para ajustar a base do imposto, também alonga a fase fiscal, embora possa reduzir o custo.
Um cronograma realista
Somando as etapas, um inventário simples e sem pendências pode se concluir em poucas semanas; um caso com débitos fiscais, imóveis em vários estados ou certidões problemáticas leva meses. Um exemplo: uma herança com um imóvel quitado e um saldo bancário, herdeiros de acordo e situação fiscal limpa, tende a andar rápido; já um imóvel com IPTU atrasado empurra o prazo para depois da regularização.
Um advogado que organize documentos e imposto em paralelo, por meios digitais, costuma encurtar o percurso, porque evita que uma pendência descoberta tarde reinicie a contagem.
Perguntas frequentes
O inventário em cartório é sempre mais rápido que o judicial?
Em regra sim, porque dispensa a tramitação processual; mas o ganho de tempo depende de haver consenso e de a situação documental e fiscal estar em ordem.
O que mais atrasa um inventário extrajudicial?
As pendências fiscais do falecido e a obtenção do ITCMD costumam ser os maiores gargalos, mais do que a lavratura da escritura em si.
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