Base de cálculo da hora extra segundo a Súmula 264 do TST

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

Some as horas extras do mês, multiplique pelo que aparece no holerite e compare com o valor pago: muita gente descobre aí uma diferença que não fecha. Quase sempre o motivo é o mesmo — a empresa calculou a hora extra apenas sobre o salário-base, ignorando adicionais que já fazem parte da remuneração. A Súmula 264 do TST existe justamente para dizer como essa base se monta.

A fórmula que a Súmula 264 desenha

Segundo o enunciado, a hora suplementar não parte do salário puro. Ela reúne o valor da hora normal, somado às parcelas de natureza salarial que o empregado recebe, e sobre esse conjunto incide o adicional de horas extras previsto em lei, contrato, acordo, convenção coletiva ou sentença normativa.

Ou seja, são três camadas: hora normal, agregados salariais e adicional. Retirar qualquer uma delas encolhe indevidamente o valor da hora extra.

O que entra na base

Entram as parcelas de natureza salarial pagas com habitualidade. Adicional noturno, de insalubridade ou periculosidade, gratificações fixas e demais valores que compõem a remuneração — na forma do art. 457 da CLT — puxam a base da hora extra para cima. Se o trabalhador recebe adicional de periculosidade todo mês, por exemplo, a hora extra tem de refletir esse acréscimo, e não apenas o salário contratual.

Esse é o ponto que costuma escapar nos cálculos automáticos de folha: o sistema aplica o adicional só sobre o piso e deixa de fora tudo o que se integrou à remuneração.

O adicional mínimo de 50%

Sobre a base já composta incide o adicional. O art. 7º, XVI, da Constituição estabelece o piso do acréscimo: cada hora além da jornada deve receber pelo menos 50% sobre o valor da hora comum. Norma coletiva ou contrato podem elevar esse percentual, nunca reduzi-lo. É esse número, aplicado ao conjunto correto, que define quanto vale de verdade cada período trabalhado além da jornada.

O que fica de fora e como conferir

Nem tudo integra a base. No regime atual, o art. 457, § 2º, da CLT exclui da remuneração parcelas indenizatórias genuínas, como ajuda de custo, auxílio-alimentação não pago em dinheiro e diárias para viagem; o vale-transporte também possui natureza própria e fica fora. O nome da rubrica, porém, não legitima salário disfarçado, e períodos anteriores à reforma devem ser examinados pela redação então vigente.

Para revisar, cruze o espelho de ponto com o contracheque e verifique qual base a empresa usou. Em regra, a pretensão alcança os cinco anos anteriores ao ajuizamento; terminado o vínculo, a ação precisa ser proposta dentro do biênio constitucional. O sindicato ajuda a montar o cálculo antes de qualquer medida.

Perguntas frequentes

O vale-transporte entra na base da minha hora extra?

Não. O vale-transporte tem natureza indenizatória, e não salarial, então não compõe a base de cálculo da hora extra; só as parcelas de natureza salarial habituais é que elevam essa base.

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