Anuidade sem uso do cartão: quando ela continua sendo devida

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Sim, na maior parte dos contratos a anuidade continua sendo devida mesmo em um mês sem nenhuma compra. Ela não é uma taxa cobrada por transação, e sim o preço pago pela disponibilização do crédito e dos serviços associados ao cartão — seguro de proteção, programa de pontos, acesso a salas VIP, entre outros — estejam eles sendo usados naquele mês específico ou não. Dito isso, existem situações em que a cobrança sem uso pode e deve ser questionada, geralmente ligadas a promessas comerciais que o banco não cumpriu.

O que a anuidade paga, na prática

Pense na anuidade como o preço de manter uma linha de crédito pré-aprovada disponível, com todos os serviços que giram em torno dela — central de atendimento, seguro contra fraude, programa de recompensas — funcionando mesmo quando não há compra nenhuma no mês. É a mesma lógica de um plano de telefonia com franquia mensal: o valor cobre a disponibilidade do serviço, não o volume exato de uso.

Quando existe promessa de isenção condicionada a gasto mínimo

Muitos cartões oferecem isenção da anuidade quando o titular atinge um valor mínimo de gastos no mês ou no ano. Nesses casos, se o consumidor cumpriu a condição divulgada na contratação e mesmo assim a anuidade foi cobrada, a cobrança se torna questionável — não pela ausência de uso em si, mas pelo descumprimento da oferta que vinculou o banco desde o momento em que foi divulgada. Vale guardar o print ou o regulamento da promoção que prometeu a isenção, com a condição exata exigida.

Cartão nunca desbloqueado é uma situação diferente

Não usar o cartão em um mês é diferente de nunca ter ativado o cartão desde a emissão. Quando o titular pediu o cartão, mas nunca chegou a desbloqueá-lo ou usá-lo nenhuma vez, alguns contratos prevêm regras específicas de isenção nos primeiros meses; vale checar essa cláusula antes de aceitar a cobrança como automática. Já quando o cartão foi ativado e usado normalmente em meses anteriores, a ausência de uso pontual em um único ciclo não costuma, por si só, afastar a cobrança.

Como contestar quando a isenção prometida falhou

O caminho é reunir a oferta ou regulamento que prometeu a isenção, comparar com o extrato de gastos do período e formalizar a contestação junto ao banco, pedindo a aplicação retroativa da isenção e o estorno do valor cobrado. Sem solução pelo canal do banco, cabe reclamação ao Banco Central e, se necessário, ação no Juizado Especial. Quando a discussão envolve interpretação de regulamento de promoção, muitos consumidores preferem levar o print da oferta a um advogado por WhatsApp, o que ajuda a apresentar a reclamação já com o pedido bem fundamentado desde a primeira mensagem.

Perguntas frequentes

Cancelar o cartão no meio do mês evita a cobrança da anuidade daquele ciclo?

Depende do contrato: em geral, a anuidade referente ao ciclo já em curso na data do cancelamento costuma ser devida, com o encerramento valendo a partir da fatura seguinte — por isso vale confirmar a data de fechamento antes de pedir o cancelamento pensando em economizar aquele mês.

Proveniência

Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.