STJ — 672586
Proveniência: STJ — acórdãos públicos. SHA-256 da fonte preservada: 4dba97344844939ab70e9515a7b6293094c50b8f535b7a635731fe9252ef4ada
Registro público original completo (JSON)
Ementa
HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS,
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PEDIDO DE
REVOGAÇÃO DE MEDIDAS CAUTELARES FIXADAS EM SUBSTITUIÇÃO À PRISÃO
PREVENTIVA. CABIMENTO, NA HIPÓTESE. MEDIDAS QUE PERDURAM POR MAIS DE
2 (DOIS) ANOS. AUSÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DA NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO
DAS RESTRIÇÕES. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS DO PACIENTE.
PRECEDENTES. ORDEM CONCEDIDA.
1. Hipótese em que o Paciente foi preso temporariamente, em
06/06/2019, por força de mandado de prisão expedido pela Justiça
Federal no âmbito da Operação "Ozark-Narco", instaurada para
investigar suposta organização criminosa destinada a promover o
tráfico internacional de entorpecentes. A prisão temporária foi
convertida em preventiva em 30/10/2019.
2. A despeito da gravidade dos fatos apurados nos autos em epígrafe,
a Corte Regional substituiu a prisão preventiva do Paciente por
medidas cautelares diversas em julgamento realizado no dia
11/02/2020, tendo havido, desde então, por diversas vezes, ampliação
da área de monitoramento eletrônico, em virtude da atuação
profissional do Paciente, sem notícias de violação das cautelares
impostas.
3. Ademais, a Corte Regional salientou que, "não obstante fixadas as
cautelares pelo Tribunal, ao juiz de primeira instância, que conduz
o processo e tem proximidade com os fatos, cabe verificar se, com o
passar do tempo, a manutenção das cautelares se fazem, ou não,
necessárias, podendo mantê-las ou revogá-las". No entanto, nas
informações prestadas no dia 25/03/2022, o Magistrado a quo
esclareceu que "não houve reavaliação das medidas cautelares de
monitoramento eletrônico e de proibição de ausentar-se da área
monitorada fixadas ao Paciente".
4. Nesse contexto, observadas as peculiaridades do caso concreto,
mostra-se desarrazoada a manutenção das medidas cautelares de
monitoramento eletrônico e de proibição de ausentar-se da área
monitorada por período que já ultrapassa 2 (dois) anos, notadamente
diante da omissão do Juízo de primeira instância em proceder à
reavaliação da necessidade das medidas, bem como em razão das
condições pessoais do Paciente.
5. Ordem de habeas corpus concedida para revogar as medidas
cautelares de monitoramento eletrônico e proibição de ausentar-se da
área monitorada, aplicadas ao Paciente, ficando mantidas, contudo,
as demais medidas cautelares vigentes.
Dispositivo transcrito
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conceder
a ordem, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs.
Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio
Saldanha Palheiro votaram com a Sra. Ministra Relatora.
Dr(a). KLEYTON CARNEIRO CAETANO, pela parte IMPETRANTE: CRISTIANO
EDUARDO LOPES
Referências legislativas identificadas
Outras decisões e processos do mesmo assunto
Relacionados por códigos TPU ou citações LexML coincidentes, não por resultado presumido.
- STJ — 1100254 — AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS · 2026-08-26 · 1 referência(s) em comum
- STJ — 978241 — AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS · 2026-08-19 · 1 referência(s) em comum
- STJ — 1088603 — AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS · 2026-07-02 · 1 referência(s) em comum
Leia também na Wiki Jurídica
- Audiência de custódia: como buscar a soltura do preso — Citação da mesma norma
- Medidas cautelares diversas da prisão: o que são — Citação da mesma norma
- Prisão temporária ou preventiva: qual a diferença — Citação da mesma norma
- Medidas cautelares diversas: as alternativas à prisão — Citação da mesma norma