Inteiro teor do voto não fornecido no registro original; ementa e dispositivo são preservados integralmente abaixo.
Assunto e questão jurídica conforme a ementa oficial
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO REGISTRADO NA ANVISA NÃO CONSTANTE NA RENAME. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N. 150 E 224/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. I - Trata-se de conflito negativo de conflito negativo de competência instaurado entre o Juízo Federal da 6ª Vara de Joinville - SJ/SC e a 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina - TJSC, em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Santa Catarina contra o Estado de Santa Catarina e o Município de Campo Alegre, objetivando o fornecimento de insumos para o tratamento de enfer…
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA.
FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO REGISTRADO NA ANVISA NÃO CONSTANTE NA
RENAME. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS N.
150 E 224/STJ. NÃO INCIDÊNCIA.
I - Trata-se de conflito negativo de conflito negativo de
competência instaurado entre o Juízo Federal da 6ª Vara de Joinville
- SJ/SC e a 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado de
Santa Catarina - TJSC, em ação civil pública ajuizada pelo
Ministério Público do Estado de Santa Catarina contra o Estado de
Santa Catarina e o Município de Campo Alegre, objetivando o
fornecimento de insumos para o tratamento de enfermidade de
paciente, em razão de não possuir recursos financeiros para sua
aquisição.
II - No julgamento do RE n. 657.718/MG (Tema n. 500/STF, de
Repercussão Geral), a Corte Suprema estabeleceu a obrigatoriedade de
ajuizamento da ação contra a União quando se pleitear o fornecimento
de medicamentos sem registro na Anvisa.
III - Nos autos do RE n. 855.178/SE (Tema n. 793/STF, de Repercussão
Geral), por sua vez, o Supremo Tribunal Federal consignou que o
"tratamento médico adequado aos necessitados se insere no rol dos
deveres do Estado, porquanto responsabilidade solidária dos entes
federados. O polo passivo pode ser composto por qualquer um deles,
isoladamente, ou conjuntamente".
IV - Na tese fixada do RE n. 855.178/SE, não há comando que
determine a obrigatória integração da União no polo passivo das
ações que postulam o fornecimento de medicamentos não incorporados
na Rename/SUS. Ao revés, há registro expresso, em ementa, sobre a
possibilidade de os entes federados serem demandados isolada ou
conjuntamente.
V - É exatamente nesse sentido, de inexistência de obrigatoriedade
de inclusão de todos os entes federados no polo passivo das ações
que pleiteiam o fornecimento de medicamentos que não constem da
Rename/SUS - mas que já sejam registrados na Anvisa, que se
consolidou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça,
conforme os seguintes precedentes: CC n. 172.817/SC, relatora
Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção, julgado em 9/9/2020,
DJe 15/9/2020; e AgInt no CC n. 166.929/RS, relator Ministro Herman
Benjamin, Primeira Seção, julgado em 16/6/2020, DJe 23/6/2020.
VI - Recentemente, corroborando esse entendimento, nos autos do RE
nos EDcl no AgInt no CC n. 175.234/PR, em juízo de retratação, o
qual foi rejeitado pelo relator, Ministro Herman Benjamin, os
seguintes e fortes argumentos: "Com efeito, ao julgar o RE n.
855.178 ED/SE (Tema 793/STF), o Supremo Tribunal Federal foi
bastante claro ao estabelecer na ementa do acórdão que "É da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que o tratamento médico
adequado aos necessitados se insere no rol dos deveres do Estado,
porquanto responsabilidade solidária dos entes federados. O polo
passivo pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente, ou
conjuntamente.'' e ''Cabe destacar, a propósito, parte das
discussões nos EDs opostos ao RE 855.178/SE - Tema 793, que
evidenciam não ter o STF decidido pela obrigatoriedade da presença
União no polo passivo da lide, nos casos em que se pleiteia
medicamentos, tratamentos, procedimentos ou materiais não constantes
das políticas públicas instituídas.''
VII - E aqui, o ponto que mais chama a atenção para dirimir a
presente controvérsia, a seguinte conclusão exposta pelo nobre
relator: ''Entender de maneira diversa seria afastar o caráter
solidário da obrigação, o qual foi ratificado no precedente
qualificado exarado pela Suprema Corte.''
VIII - No que tange à alegação de ofensa à Súmula n. 224/STJ, o que
se constata é uma enorme judicialização da questão relativa a
fornecimento de medicamento ou outros procedimentos inerentes a
tratamento de saúde, e quando se instaura um conflito de competência
nesse tipo de ação, evidente a situação de maior postergação na
elucidação da controvérsia, em claro prejuízo à parte necessitada.
IX - Nesse panorama, faz-se necessária uma resposta mais eficaz
possível, conforme bem deliberado pelo Ministro Herman Benjamin, em
caso análogo: ''O Conflito de Competência está caracterizado,
porquanto "2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes,
atribuindo um ao outro a competência" (art. 66, II, do CPC), ainda
que, eventualmente, com má aplicação do enunciado 224 do STJ por um
deles.'' (AgInt no CC n. 177.800/RS, relator Ministro Herman
Benjamin, Primeira Seção, DJe 2/12/2021.)
X - Em outro precedente análogo, foi assim considerado: ''Da simples
leitura do excerto transcrito, verifica-se que o acórdão embargado,
fundamentadamente, negou provimento ao Agravo interno, concluindo
pela competência da Justiça estadual, para o processo e julgamento
do feito, nos termos das Súmulas 150, 224 e 254 do STJ, porquanto "o
Juízo Federal, em decisão irrecorrida, reconheceu, expressamente, a
inexistência de litisconsórcio passivo necessário da União,
concluindo pela sua ilegitimidade passiva." (EDcl no AgInt no CC n.
178.773/SC, relatora Ministra Assusete Magalhães, Primeira Seção,
DJe 16/11/2021.)
XI - Agravo interno improvido.
Dispositivo transcrito
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de
Justiça, em sessão virtual de 22/06/2022 a 28/06/2022, por
unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr.
Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell
Marques, Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Regina Helena
Costa, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do
TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina.
Jurisprudência citada no registro do STJ
(FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS - INCLUSÃO DE TODOS OS ENTES FEDERADOS
NO POLO PASSIVO - INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE)
STJ - <<RE nos EDcl no AgInt no CC 175234>>-PR,
<<CC 174749>>-PR,
<<AgInt no CC 166929>>-RS,
<<AgInt no CC 168858>>-RS,
<<CC 172817>>-SC
STF - [[RE 855178]]-SE (REPERCUSSÃO GERAL - TEMA(s) 793),
[[RE 855178 ED]]
(CONFLITO DE COMPETÊNCIA - CARACTERIZAÇÃO)
STJ - <<AgInt no CC 177800>>-RS,
<<EDcl no AgInt no CC 178773>>-SC
(FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS - OBRIGATORIEDADE DE AJUIZAMENTO DA
AÇÃO CONTRA A UNIÃO)
STF - [[RE 657718]]-MG (REPERCUSSÃO GERAL - TEMA(s) 500)
Súmulas mencionadas no registro
Referências legislativas textuais na fonte
- LEG:FED SUM:****** ANO:****
***** SUM(STJ) SÚMULA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
SUM:000150 SUM:000224
- LEG:FED LEI:013105 ANO:2015
***** CPC-15 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015
ART:00066 INC:00002
Recortes literais da ementa, dispositivo e referências do STJ. Não substituem o voto ou inteiro teor ausente, nem constituem tese autoral.