Procuração: o instrumento que dá poderes para agir em nome de outra pessoa

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Uma filha que mora em outro estado precisa vender um imóvel dos pais, que já não conseguem se deslocar até o cartório. Para isso ela não compra o imóvel nem assina a escritura como se fosse dona: age em nome dos pais, munida de uma procuração que lhe transfere os poderes necessários para representá-los no ato.

Procuração é o instrumento do contrato de mandato

O Código Civil trata do mandato nos arts. 653 a 692, definindo-o como o contrato pelo qual alguém recebe poderes para, em nome de outrem, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o documento que formaliza esses poderes: o mandato é o contrato, a procuração é a prova escrita dele, embora, na linguagem cotidiana, os dois termos costumem se confundir.

Procuração pública e procuração particular

A procuração pode ser lavrada em cartório de notas, na forma pública, ou redigida por instrumento particular assinado pelo outorgante. A lei exige a forma pública quando o ato a ser praticado também exigir escritura pública — como a venda de imóvel de valor superior ao teto legal —, e admite a forma particular nos demais casos, o que costuma tornar mais simples e barato outorgar poderes para atos do dia a dia, como representação bancária ou administrativa.

Poderes gerais e poderes especiais

Procuração com poderes gerais autoriza a administração ordinária de negócios do outorgante, mas o art. 661, §1º, do Código Civil exige poderes especiais e expressos para atos que exorbitem a administração ordinária, como alienar bens, transigir, ou renunciar direitos. Uma procuração genérica, sem menção explícita a esses poderes, não autoriza o procurador a vender um imóvel do outorgante, por exemplo.

A procuração ad judicia no processo

Para representar alguém em processo judicial, o advogado precisa de procuração com poderes específicos, cujo conteúdo mínimo o art. 105 do Código de Processo Civil detalha: poderes gerais para o foro, incluindo os atos ordinários do processo, e a exigência de cláusula específica para atos como receber citação, confessar, reconhecer procedência do pedido, transigir, desistir e renunciar ao direito sobre que se funda a ação.

Como revogar uma procuração

O mandante pode revogar a procuração a qualquer tempo, unilateralmente, salvo se ela tiver sido outorgada com cláusula de irrevogabilidade, hipótese em que a revogação sem justa causa pode gerar responsabilidade por perdas e danos. Vale notificar formalmente o procurador e, quando a procuração tiver sido registrada em cartório ou apresentada a terceiros, comunicar também esses terceiros, porque a revogação só produz efeitos perante quem toma conhecimento dela.

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