Isenção por acordo bilateral: até onde ela alcançava as taxas

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

Acordos comerciais bilaterais costumam falar em imposto de importação, e raramente detalham o destino das taxas cobradas no mesmo desembaraço. Foi essa lacuna que gerou o litígio decidido pela Súmula 134, sobre a importação de frutas da Argentina.

O alcance reconhecido pelo tribunal

A Súmula 134 firmou que a isenção fiscal para a importação de frutas da Argentina compreende a taxa de despacho aduaneiro e a taxa de previdência social.

Duas cobranças distintas foram alcançadas de uma vez. O tribunal não tratou a isenção como benefício restrito ao imposto nominalmente citado, mas como desoneração do conjunto de exigências que incidiam sobre aquela operação de importação.

Por que a interpretação foi ampliativa

Costuma-se dizer que isenção se interpreta restritivamente. O enunciado mostra que essa fórmula tem limite: quando as exigências adicionais não têm fato gerador autônomo e funcionam como adicionais do imposto isento, interpretá-las como sobreviventes esvaziaria o próprio benefício.

A compilação oficial relaciona ao enunciado o art. 6º da Lei 159/1935, o art. 66 da Lei 3.244/1957, o art. 2º, alínea "b", do Decreto-Lei 2.878/1940 e o Decreto-Lei 3.757/1941, com quatro recursos em mandado de segurança entre os precedentes.

O contexto do acordo com a Argentina

Frutas frescas argentinas — maçã e pera, sobretudo — tinham tratamento preferencial na pauta de importação brasileira, dentro de acordos comerciais bilaterais anteriores aos blocos regionais.

A desoneração servia a objetivos de política externa e de abastecimento interno. Cobrar taxas que reconstituíssem parte do custo eliminado pela isenção contrariava a finalidade do acordo, argumento que pesou na formação do entendimento.

O que sucedeu esse arranjo

As relações comerciais entre Brasil e Argentina passaram a ser regidas, a partir dos anos 1990, pela estrutura do Mercado Comum do Sul, com tarifa externa comum e livre circulação de bens entre os Estados-partes segundo as regras do bloco.

O regime aduaneiro brasileiro também mudou, com o Decreto-Lei 37/1966 e a legislação posterior. As taxas mencionadas no enunciado não integram o sistema atual, o que restringe a Súmula 134 ao interesse histórico.

A lição que atravessa o tempo

Ao interpretar uma isenção, o que importa é identificar a natureza das exigências que se pretende manter. Cobrança que remunera serviço público específico e divisível efetivamente prestado tende a subsistir; adicional do imposto isento, não.

Esse critério continua orientando discussões sobre benefícios fiscais e cobranças acessórias. Importadores e empresas costumam contar com assessoria especializada; consumidores e pessoas físicas com dúvidas sobre tributação de bens trazidos do exterior encontram orientação nos canais oficiais da administração aduaneira.

Perguntas frequentes

Isenção concedida por acordo internacional vale mais que a lei interna?

O Código Tributário Nacional dispõe que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha, o que orienta a solução desse tipo de conflito.

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