Transferir mercadoria entre lojas do mesmo dono gera ICMS?

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 3 fontes oficiais verificadas

Mandar estoque de uma filial para outra da mesma titularidade não é venda: não há mudança de proprietário. A Súmula 166 do STJ consolidou que esse simples deslocamento não constitui fato gerador do ICMS. Desde 2024, a Lei Kandir contém regra expressa sobre a não incidência e disciplina o tratamento dos créditos nas transferências interestaduais.

A titularidade comum é o dado central

A proteção alcança estabelecimentos pertencentes ao mesmo contribuinte. Se a mercadoria sai de uma unidade e entra em outra sem negócio com terceiro, falta circulação jurídica. A LC 204/2023 inseriu o § 4º no art. 12 da LC 87/1996: não se considera ocorrido o fato gerador e mantêm-se os créditos das operações anteriores, inclusive com mecanismo entre os estados de origem e destino.

CNPJ de filial diferente não significa proprietário diferente. Já uma remessa para empresa do mesmo grupo, mas com outra personalidade jurídica, precisa de análise própria e pode representar operação mercantil.

Crédito de ICMS continua exigindo escrituração correta

Não incidência na saída não autoriza ignorar documento fiscal, estoque ou regras de transferência de crédito. A legislação nacional preserva créditos e define limites para as operações interestaduais; normas estaduais operacionalizam registros e documentos. Desde a promulgação da parte vetada da LC 204, o § 5º também permite ao contribuinte optar por equiparar a transferência a operação tributada, observadas as alíquotas legais.

A escolha afeta a escrita fiscal e não deve ser feita apenas para “facilitar a nota”. É preciso avaliar toda a cadeia e manter coerência entre estabelecimentos.

Como provar que houve transferência, não venda

Separe notas fiscais de remessa, cadastros dos estabelecimentos, livro de estoque, escrituração de créditos e documentos de transporte. Eles devem mostrar mesma titularidade, ausência de comprador e entrada correspondente no destino. Um contrato de venda, faturamento para terceiro ou pagamento incompatível pode descaracterizar o mero deslocamento.

Imagine uma indústria paulista que manda matéria-prima ao próprio depósito mineiro. A saída não gera ICMS só por cruzar a divisa, mas os créditos e a opção do § 5º precisam seguir o regime adotado. Erro nessa etapa pode causar autuação mesmo quando a tese material da Súmula 166 está correta.

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