Como a comissão de corretagem é tratada no cálculo do distrato

Por · Revisão: Rafael Toledo · Atualizado em 2026-08-06 · 2 fontes oficiais verificadas

A dúvida parece detalhe, mas muda o valor final: a corretagem que você pagou na assinatura é a mesma coisa que a multa do distrato, ou são contas diferentes? Muita gente aceita uma devolução menor por não perceber que a construtora somou as duas rubricas de forma indevida. O art. 67-A da Lei 4.591/1964 trata corretagem e pena convencional como deduções distintas. Entender essa separação é o que impede que o mesmo dinheiro seja descontado duas vezes.

Corretagem e multa são deduções separadas, não a mesma rubrica

A lei permite que a incorporadora deduza, de um lado, a integralidade da comissão de corretagem efetivamente paga e, de outro, a pena convencional de até 25% da quantia paga. São dois abatimentos autônomos, cada um com sua própria justificativa.

O erro comum é fundir os dois: descontar a corretagem, achar que ela já é a multa e ainda assim aplicar o percentual sobre o saldo. A lei não manda subtrair a corretagem e só depois calcular a pena sobre o que restou — cada dedução incide sobre a base correta e de forma independente.

A ordem correta da conta evita cobrança dobrada

O ponto de partida é a quantia efetivamente paga à incorporadora, atualizada pelo índice contratual. Sobre ela se calcula a pena convencional dentro do teto legal. A comissão de corretagem, quando comprovadamente paga, é deduzida como rubrica própria, não como parte do percentual de multa.

Quando a construtora aplica os descontos em cascata — retira a corretagem, depois joga o percentual sobre o valor cheio e ainda soma tudo —, o resultado infla a retenção. Refazer a conta separando as rubricas costuma recuperar uma parcela relevante do que seria devolvido.

Quando a própria cobrança da corretagem pode ser questionada

Há um passo anterior que vale checar: se a corretagem foi transferida a você sem informação clara no momento da compra, a validade dessa cobrança pode ser discutida à parte. Nesse caso, a discussão não é só como abatê-la no distrato, mas se ela deveria ter sido paga por você.

A análise depende de como o serviço de corretagem foi contratado e informado. Reunir o recibo, o contrato e a publicidade do empreendimento ajuda a advogado a avaliar se cabe apenas ajustar o cálculo do distrato ou também rediscutir a comissão em si — sempre sem promessa de um resultado específico.

Perguntas frequentes

A corretagem que paguei é abatida da devolução?

Sim, a integralidade da comissão comprovadamente paga é uma dedução prevista no art. 67-A. Ela é retirada como rubrica própria, e não confundida com a pena convencional de até 25%.

A construtora pode descontar a corretagem e ainda aplicar a multa cheia?

São deduções distintas, mas a base de cada uma precisa ser respeitada. A lei não autoriza subtrair a corretagem e depois calcular a pena de forma que o mesmo valor seja descontado duas vezes.

Posso rediscutir a própria cobrança da corretagem?

É possível, se ela foi repassada a você sem informação prévia e clara. Essa é uma discussão autônoma, que depende de como o serviço foi contratado e apresentado no ato da compra.

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Conteúdo informativo. Não substitui a análise individual de um advogado ou da Defensoria Pública sobre o seu caso.